sexta-feira, 7 de março de 2014

quinta-feira, 6 de março de 2014

Lenço




no bolso, o lenço
branco contido

o latente aceno
para o quase ido




xavier

Depressão III




tem dias que amanheço
com os pés no chão
noutros, com a alma



xavier

quarta-feira, 5 de março de 2014

Sinais de fumaça




aqui na quebrada, quando rola prisão
atropelamento, corte de água
luz ou reintegração
deixamos claro:
metemos fogo em pneus
comércio e buzão

sem esperanças
para que paciência?
é dia de guerra, chororô
correria e resistência

aqui
a fumaça é da preta
meu irmão

nos dias de pagamento
tem festa no mangue
não tem treta, polícia
sangue nem xingamentos

é só alegria
paz no ninho
dia de feira, pinga e pastel
caldo de cana, danoninho
camisola lavada
e lua de mel

botamos fogo na lenha e
a fartura que não se via:
ovo, feijão, carne e farinha
na pressão é só o que chia

é dia de criança correr
encarvoar a panela e
do rabo da vida
balançar no sombrio da viela

a larica que sentimos
fugirá debaixo de garfadas e tapas

do cozido, é branca a fumaça
não minto: hoje habemus papa!



xavier

terça-feira, 4 de março de 2014

Os vira-latas




forró, latinha e fuá
a noite uivam tristes

insone
contenho o meu uivar



xavier

segunda-feira, 3 de março de 2014

Vaso quebrado



o vaso
do amor
caiu

quebrado
não esvazia

sobre cacos
é dor

agonia




xavier

sábado, 1 de março de 2014

Sonho de uma noite de verão




depois do temporal,
no íntimo da planície,
uma pequena poça.
sou eu o que restou
da fúria das águas
e dos ventos.
sou
a taça
que te reflete
,o raso que aprofundas,
berço de estrelas
e encantos.
lua
linda,
rompe o dia.
na manhã que arde,
do pó o que me resta
é a seca saudade de ti e
a sede de tempestades.




xavier